quinta-feira, 8 de outubro de 2015

CONTOS DE SEBOLLAS

A LOIRA DE BRANCO



A LOIRA DE BRANCO

A lenda da loira de branco é uma das mais conhecidas e contadas por todo Brasil, principalmente no interior e muitas versões e desfechos existem para cada contador.
Em Paraíba do Sul não era diferente, por muitas vezes essa história de nosso folclore foi contada em rodas de amigos e contadores de lenda, até que, há uns 10 anos, a lenda ganhou vida no distrito de Sebollas com uma nova e assustadora versão.

Eram aproximadamente 20:00 horas de uma quinta feira de primavera. Em mais um dia normal de trabalho, o motorista Agildo (nome fictício) fazia a sua última viagem entre Paraíba do Sul e Sebollas. Agildo era um motorista muito querido e tido por todos os passageiros como corajoso, pois nunca os deixava na mão, nem mesmo em dias de chuva e lama.
Neste dia, Agildo parou o ônibus em Sebollas, vindo de Paraíba do Sul e aguardava os passageiros que moram na localidade descer e os que iam até Fagundes subir ou continuar no ônibus, pois um ou outro já vinha desde Paraíba do Sul.



Viagem reiniciada, entre bate papos e prosas com alguns passageiros sentados na frente, Agildo observa pelo retrovisor central que num dos últimos bancos havia uma mulher loira com vestido branco, e na mesma percepção, imagina nunca ter a visto antes e nem mesmo de ter a visto entrar no coletivo; mas como o cansaço já falava mais forte, Agildo acelerou para chegar logo a Fagundes e posteriormente a garagem da empresa.

Chegando a Fagundes, a porta do ônibus se abre e os poucos passageiros que restavam começam a descer, porém como era de costume, um deles que ia mais adiante pegaria uma carona no próprio coletivo.

Educadamente, Agildo despede-se de cada um à medida que iam descendo e consequentemente percebe que a loira não havia descido, então, sem pensar duas vezes e visivelmente cansado, ele olha para o espelho e pergunta: - Aqui é ponto final! A senhora não vai descer?... E aí vem a surpresa: O passageiro que iria até mais adiante fala: - O Agildo, tá maluco? Não tem mais ninguém neste ônibus! E não tinha mulher nenhuma de Sebollas para cá! Agildo arregala os olhos e vasculha o ônibus com uma certeira convicção: Eu vi! Eu tenho certeza que tinha uma loira com vestido branco no último banco! Eu vi pelo retrovisor logo assim que saímos de Sebollas! Eu não estou louco e nem parei para descer ninguém! Não pode ser...inclusive pensei comigo mesmo que eu nunca havia visto ela antes nem me lembrava dela ter entrado no ônibus! Tenho a certeza que por aqui ela não entrou ou não pagou passagem, eu ia perceber...finaliza assustado o corajoso motorista.

No dia seguinte, o próprio Agildo tratou de espalhar o acontecido. Em poucos dias e já com as confirmações do passageiro que presenciou a cena, a notícia se espalha por toda cidade e região. Agildo começa a ficar intrigado e aborrecido com as gozações e brincadeiras da população e além de ter que fazer aquela assustadora rota todos os dias inclusive à noite, o já não tão corajoso motorista pede para ser transferido e vai trabalhar em outra linha da empresa na cidade de Petrópolis.

Sobre a lenda:
De acordo com os antigos, esta loira aparece perto cemitério, pois ela teria tido uma grande paixão por um homem que a matou no dia do casamento, enterrando-a com o vestido que ela usaria.
A partir deste dia, ela sempre aparece para assombrar os homens e quando passa em frende ao cemitério, ela desaparece misteriosamente.
Em Sebollas mesmo há outros relatos de aparições da loira do cemitério em algumas estradas. 

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